11 de setembro de 2009

Porque é Setembro...

Afinal, porque te escrevo este diário, quando sinto a cada dia que passa que não vais voltar?
(…)
Os dias continuam a correr devagar; às vezes sinto que te estou a esquecer, outros tenho a certeza que a ferida nunca vai fechar. Às vezes penso que nunca mais serás uma pessoa próxima.
(…)
Tudo o que desejo agora é que me saias da pele como as folhas que caem no Outono, e com esse tapete sob meus pés conseguir caminhar sem pisar as pedras.
(…)
Existem outros homens à espera de entrar na minha vida. Nenhum me interessa. Ouço-os falar e lembro-me da tua voz. Observo as mãos deles e são as tuas que vejo. Todos os olhos que me tentam prender se perdem no meu vazio, porque em nenhum vejo os teus olhos. São homens que nem sequer têm sentimentos profundos por mim, apenas querem um bocado do meu tempo ou da minha carne.
(…)
Já não estou à tua espera, quero apenas ficar quieta. (...) A amizade é o amor sem preço nem prazo de validade, por isso aceito sem reservas e sem mágoa qualquer atitude que ele queira tomar, porque sei que a nossa amizade é eterna…
(...)
Tenho muitas saudades tuas.
E saudades do tempo em que confiávamos um no outro e sentíamos que estávamos no mesmo barco, porque mesmo longe, queríamos ajudar, proteger e apoiar o outro em tudo, de uma forma incondicional e total, queríamos amar-nos e dar-nos um ao outro.
Mas tenho ainda mais saudades de me sentir cheia de amor por ti.
Será que não amamos os outros pelo que são, mas por tudo o que nos fazem sentir?
Sempre quis ser a pessoa que fui quando estava contigo, tu sabias, sem saber, exaltar o meu lado melhor, mais profundo, mais elevado, mais optimista.
Sentia-me bela, segura, serena e perfeita a teu lado.
Sentia-me completa, e é na plenitude que se pode encontrar a felicidade.
(…)
Nunca vemos o amor chegar; só o vemos a ir-se embora.
Estou numa estação de comboios, sentada num banco de pau, completamente só.
Perdi o teu comboio e não quero apanhar nenhum outro.
Está frio.
Um vento seco e cortante faz com que me encolha como um bicho-de-conta.
Já não há sonho, já não há dádiva, os dias voltaram a ser cinzentos e tristes.
Agora são todos iguais, sempre iguais.
Trabalho, respiro, durmo e como o melhor que posso e sei, e tento esquecer-te.
Deixei de falar de ti e de dizer o teu nome, deixei de o desenhar no espelho da casa de banho, quando o vapor inunda todas as superfícies.
Em vez disso, tenho o coração embaciado de dúvidas e o olhar desfocado pelo absurdo do teu silêncio continuado, o olhar de quem aprende a adaptar-se a uma luz desconhecida, a uma nova realidade.
(…)
Até lá, e porque a vida nunca é como a imaginamos, espero por ti sem esperar, sonhando que aquilo que desejo, se for bom para mim e o melhor para o mundo, se realize, e a tua ausência seja apenas uma etapa… (…)
Diário da tua ausência - Margarida Rebelo Pinto

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